quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Por que celebrar missas do sétimo dia, mês e ano de falecimento?

NO ENSINAMENTO DA IGREJA CATÓLICA TEMOS QUE:

Esse ritual tem estreita ligação com o luto, porque uma de suas funções é, precisamente, a de delimitar o período de resguardo depois do ocorrido fatídico, em que sobrevém uma espécie de transformação na vida da família. Dessa forma, trataremos concomitantemente desses dois recursos religiosos: a missa do sétimo dia e o luto. A missa, como parte integrante, e talvez, essencial do luto na tradição católica, consistindo, portanto, num marco simbólico divisório entre o episódio da morte e o retorno da normalidade no cotidiano da vida dos familiares.

A missa do sétimo dia tornou um momento forte de solidariedade social, ocasião em que os parentes, além dos amigos mais achegados, se reúnem para fazer a entrega definitiva nas mãos de Deus, daquela pessoa que fora chamada deste mundo. Portanto, afora a devoção e a crença na acolhida divina, um circulo de relações sociais se forma em volta desse acontecimento.

Sabe-se que é uma tradição que se formou na história da Igreja, com a intenção de sufragar a alma da pessoa falecida, cuja origem descende de antigos ritos mortuários e do costume de se celebrar missa por ocasião da morte. Missa esta que era rezada, a princípio, diante do cadáver da pessoa, chamada de missa de corpo presente. Até certo tempo isto era uma prática comum, principalmente nos vilarejos e cidades do interior, em que a escassez de padre não era tanta. Antes que a missa de corpo presente se tornasse inviável, já se havia instalado no imaginário popular católico, a obrigação de mandar rezar missa pelos mortos.

Na Bíblia, a simbologia dos números atribui ao sete e seus correlatos, os significados de “totalidade, plenitude, completação ou perfeição” (Mackenzie, 1983: 873). A referência ao número sete e seus derivados (setecentos, setenta, sétimo), aparecem na Bíblia, em diversos livros, somando um total de 662 vezes, segundo o dicionário de Concordância Bíblica (Sociedade Bíblica do Brasil, 1975: 955). Destarte, diversos relatos, como por exemplo, a narração do livro do Gênesis (2, 2), mostra que Deus levou sete dias para criar o mundo e, quanto terminou, vendo que era bom, perfeito, descansou. Portanto, no paralelismo desta passagem com a missa do sétimo dia, simboliza que aquela pessoa, após cumprir sua missão nesta terra, poderá agora também descansar.

Observamos que várias destas referências bíblicas estão relacionadas diretamente com as cerimônias fúnebres e com os tipos de comportamentos nesta categoria de evento, como, por exemplo, o ato de chorar, jejuar e fazer penitências, além de lamentações e reações agressivas. Comportamentos ainda detectáveis nestas ocasiões. Quanto aos relatos bíblicos sobre os rituais da morte, o livro do Gênesis descreve que quando morreu Jacó, um dos patriarcas do Antigo Testamento, “fizeram um funeral grandioso e solene e José guardou por seu pai um luto por sete dias” (Gn, 50, 10).

O primeiro livro de Samuel afirma que, por ocasião da morte do rei Saul, seus comparsas guerreiros, numa cerimônia fúnebre, queimaram seu corpo e depois enterraram os ossos debaixo de uma árvore, fazendo um jejum de sete dias (1 Sm, 31, 13). Outras duas passagens bíblicas que refere a morte e seus sete dias posteriores estão nos livros de Judite e Eclesiástico. O primeiro afirma que, quando morreu Judite, a heroína do povo hebreu, os israelitas fizeram luto por sete dias (Jd 16, 24) e o livro do Eclesiástico afirma que “o luto pelo morto duram sete dias” (Eclo, 22, 11). Dessa maneira, ganha respaldo bíblico a crença de que é necessário ficar de luto durante sete dias para eliminar as interferências da morte na vida dos familiares e, com isso, diluir a dor. A devoção católica convencionou encerrar esse ciclo com a referida cerimônia, chamada de missa do sétimo dia.

Desse modo, um refinamento do simbolismo do número sete, adaptado ao costume que se formou em torno dessa cerimônia fúnebre, confere ao fiel católico a confiança de que seu ente querido, com a prática desse ritual de oferenda da alma a Deus no sétimo dia da morte, adentra a uma vida de perfeição. Assim sendo, mandar rezar missa no sétimo dia é hoje uma prática comum em todo o Brasil e a maior parte das pessoas que encomenda essa cerimônia, a faz ou por tradição, por crença, ou por seu caráter simbólico ou mágico do número sete. São esses os fatores predominantes da prática desse ritual que se tornou parte do comportamento coletivo católico.

Emmanuel sugere que se espere o prazo de 72 horas entre o momento da morte e o ato de cremação. É provável, pois, que no sétimo dia os Espíritos, na maioria dos casos, já estejam desencarnados e, com certeza, as preces feitas em sua intenção, se sinceras, lhes farão muito bem.

A Igreja ensina que se deve rezar pelos mortos, para que se livrem, o quanto antes, das penas do purgatório. Este ensinamento da Igreja se fundamenta no texto do livro dos Macabeus, em que Judas Macabeu ordena que se façam sacrifícios no Templo de Jerusalém pelas almas de seus soldados que haviam morrido numa batalha, por terem pecado levemente contra Deus:
"Santo e salutar pensamento este de orar pelos mortos. Eis porque ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres dos seus pecados" (cfr. II Macab. XII, 41-46).
O costume, em toda a Igreja Católica, sempre foi o de rezar Missa pelos mortos logo após o seu falecimento, no mesmo dia do sepultamento. Era a chamada Missa de corpo presente, ou Missa rezada diante do cadáver da pessoa pela qual se oferecia a Missa.

Assim, nunca é demais insistir na importância de se orar pelos mortos.
Essa oração é um gesto de fé, um gesto de amor e um gesto de esperança. Fé na vida que começa com a morte, fé na comunhão dos santos, na ressurreição da carne e na vida eterna. Sem essa fé, a oração pelos mortos não teria sentido, não é mesmo?

E por que missa do terceiro dia, como era comum no passado, e missa do sétimo dia, mês e ano como acontecem hoje? Os estudiosos entendem que determinados tempos se tornam mais propícios para se orar e se alcançar o favor de Deus. Então, há quem afirme que o terceiro dia após a morte lembra que Jesus ressuscitou ao terceiro dia. O sétimo dia estaria ligado ao fato de Deus ter feito o mundo em seis dias e no sétimo ter descansado. E a missa no trigésimo dia seria uma referência ao mês de luto que Israel guardou pela morte de Moisés. Já a missa de um ano de falecimento seria uma forma de testemunharmos que, assim como o aniversário natalício é comemorado de ano em ano, o dia da morte também pode ser comemorado porque significa o dia em que a pessoa morreu para este mundo e entrou na plenitude da vida junto de Deus.

É bom lembrar, que não importa o dia certo para testemunharmos nosso amor pelos nossos entes queridos que passaram para a vida eterna. O amor não marca dia. É o coração que deve ditar os momentos de orarmos por eles.



NO ENSINAMENTO ESPIRITA TEMOS QUE:

No ensinamento do Espiritismo temos que depois da morte do corpo físico, verifica-se a desencarnação da alma, o que pode levar algumas horas, alguns dias e até várias semanas. Alguns autores dizem que, em média, o tempo entre o óbito e a desencarnação é de 50 horas. Falando sobre cremação de cadáveres humanos, Emmanuel sugere que se espere o prazo de 72 horas entre o momento da morte e o ato de cremação. É provável, pois, que no sétimo dia os Espíritos, na maioria dos casos, já estejam desencarnados e, com certeza, as preces feitas em sua intenção, se sinceras, lhes farão muito bem.

Então:
1) Os Espíritos são sensíveis à saudade daqueles que amaram e que ficaram na Terra?
– Muito mais do que podeis supor; se são felizes, essa lembrança aumenta sua felicidade; se são infelizes, essa lembrança é para eles um alívio.

2) O dia da comemoração dos mortos tem algo de solene para os Espíritos? Eles se preparam para visitar os que vão orar nas suas sepulturas?
– Os Espíritos atendem ao chamado do pensamento tanto nesse dia quanto em qualquer outro.

3) Esse dia é para eles um encontro junto às suas sepulturas?
– Eles estão aí num maior número nesse dia, porque há mais pessoas que os chamam. Mas cada um deles vem apenas pelos seus amigos e não pela multidão de indiferentes.

4) Sob que forma comparecem e como seriam vistos, se pudessem se tornar visíveis?
– Sob a forma pela qual os conhecemos quando encarnados.

5) Os Espíritos esquecidos, cujos túmulos ninguém visita, também aí comparecem apesar disso? Lamentam não ver nenhum amigo que se lembre deles?
– Que lhes importa a Terra? Eles somente se prendem a ela pelo coração. Se aí não há amor, não há mais nada que retenha o Espírito: tem todo o universo para si.

6) A visita ao túmulo dá mais satisfação ao Espírito do que uma prece feita para ele?
– A visita ao túmulo é uma maneira de mostrar que se pensa no Espírito ausente: é a imagem. Já vos disse, a prece é que santifica o ato da lembrança; pouco importa o lugar, quando se ora com o coração.

7) Os Espíritos das pessoas às quais se erguem estátuas ou monumentos assistem à inauguração e as vêem com prazer?
– Muitos comparecem a essas solenidades quando podem, mas são menos sensíveis às homenagens que lhes prestam do que à lembrança.

8) De onde surge, para certas pessoas, o desejo de ser enterradas num lugar em vez de outro? Revêem esse lugar com maior satisfação após sua morte? Essa importância dada a uma coisa material é um sinal de inferioridade do Espírito?
– A afeição do Espírito por determinados lugares é inferioridade moral. Que diferença há entre um pedaço de terra em vez de outro para um Espírito elevado? Ele não sabe que se unirá aos que ama, mesmo estando os seus ossos separados?

9) A reunião dos restos mortais de todos os membros de uma família num mesmo lugar deve ser considerada como uma coisa fútil?
– Não. É um costume piedoso e um testemunho de simpatia por quem se amou. Essa reunião pouco importa aos Espíritos, mas é útil aos homens: as lembranças ficam concentradas num só lugar.

10) A alma, ao entrar na vida espiritual, é sensível às homenagens prestadas aos seus despojos mortais?
– Quando o Espírito já atingiu um certo grau de perfeição, não possui mais vaidade terrestre e compreende a futilidade de todas as coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que, no primeiro momento de seu desencarne, sentem um grande prazer pelas homenagens que lhes prestam, ou se aborrecem com a falta de atenção ao seu corpo físico; isso porque ainda conservam alguns preconceitos da Terra.

11) O Espírito assiste ao enterro de seu corpo?
– Ele o assiste muito freqüentemente; mas, algumas vezes, se ainda estiver perturbado, não se dá conta do que se passa.

12) Ele fica lisonjeado com a concorrência de assistentes ao seu enterro?
– Mais ou menos, de acordo com o sentimento que eles tenham.

13) O Espírito daquele que acaba de morrer assiste às reuniões de seus herdeiros?
– Quase sempre; isso lhe é permitido para sua própria instrução e para castigo dos culpados. O Espírito julga nessa hora o valor das manifestações honrosas que lhe faziam. Todos os sentimentos dos herdeiros se tornam claros como são de fato, e a decepção que sente ao ver a cobiça daqueles que partilham seus bens o esclarece quanto a esses sentimentos. Porém, a vez deles chegará igualmente.

14) O respeito instintivo que o homem, em todos os tempos e em todos os povos, tem pelos mortos é o efeito da intuição de uma vida futura?
– É a conseqüência natural dessa intuição; sem isso, esse respeito não teria sentido.


"Quando as lágrimas nascem do nosso reconhecimento a Deus pelos benefícios que recebemos; quando as lágrimas refletem a nossa saudade tocada de esperança, os nossos amigos desencarnados nos dizem que as lágrimas fazem a eles muito bem, porque elas são luzes no caminho daqueles que são lembrados com imenso carinho. Mas quando as nossas lágrimas traduzem revolta de nossa parte diante dos desígnios divinos que nós não podemos de imediato sondar, quando essas lágrimas retratam rebeldia, essas lágrimas prejudicam os desencarnados. Tanto quanto prejudicam os encarnados também.” Chico Xavier

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